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quinta-feira, 1 de julho de 2010

O arrogante

“ O arrogante não discute, não questiona e nem respeita.

Ele é a palavra, a ordem, o conceito.

Foi a arrogância que praticou as mortes de Gandhi, de Sócrates, de Jesus, e deu forma a estes “ismos”odiáveis: nazismo, stalinismo, fascismo, etc...

A arrogância é burra, porque seus detentores, ao se considerarem seres máximos de alguma coisa, porque têm dinheiro, cargo, status, não percebem a pequenez e a precariedade de tudo isso em relação ao universo, à Eternidade, ao fantástico mistério que compõe as origens.

Os realmente admiráveis são simples na medida de sua sabedoria.

O arrogante não aceita perder em nenhuma hipótese; se desconcerta além da conta por alguém discordar de sua opinião (sempre perfeita), e principalmente quer resolver a vida dos outros, determinando seus caminhos, tentando anular suas buscas e desejos, o que ele tem de mais sagrado, determinando seus sentimentos e atos.

Estamos aqui para estar lado a lado do outro, e não em cima, em alma,compreensão e afeto.”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Alta virtude...

Certo pai tinha 3 filhos. Temendo que seus filhos se desviassem por causa da sua herança, distribuiu seus bens antes de morrer. Não podendo dividir um diamante que possuía, e que representava uma relíquia de sua família, chamou os filhos e disse-lhes:

- Empreendei uma viagem! Correi o mundo e voltai dentro de um ano. Aquele que tiver praticado a mais bela ação, receberá o diamante.

No tempo aprazado, os três filhos volveram ao lar paterno. O maior dirigiu-se ao pai, dizendo:

- Encontrei na minha jornada um estrangeiro moribundo que me confiou us saco pleno de moedas de ouro, sem exigir recibo algum. Ter-me-ia sido fácil retê-lo, porém devolvi-o intacto à viúva do estrangeiro.

- Meu filho, respondeu o pai - fizeste o que um homem honrado deve fazer.

Era teu dever devolver o dinheiro. Aquele que retém bens alheios não é homem probo .

O segundo filho declarou:

- Caminhava eu pela borda de um lago, quando uma criança escorregou e caiu nele. Se eu não a tivesse socorrido, teria perecido afogada. Tive a satisfação de salvá-la.

- Tua coragem, filho meu, merece elogios e eu não os regateio. Seguiste a lição que Cristo deu aos apóstolos: "Socorrei-vos uns aos outros ".

O terceiro tomou a palavra:

- Uma noite, encontrei meu inimigo dormindo à beira de um abismo. Ao menor movimento, despenhar-se-ia. tomei-o em meus braços e conduzi-o a um lugar seguro.

" ABRAÇA-ME MEU FILHO. DOU-TE O DIAMANTE. RETRIBUIR O MAL COM O BEM, SER O BENFEITOR DO PRÓPRIO INIMIGO É A MAIS ALTA DAS VIRTUDES."

A Paciência...

Tenho a impressão de que as pessoas não sabem mais o que é paciência. Pais, filhos,colegas de trabalho, chefes, professores,irmãos, todos literalmente perderam a paciência e não sabem mais onde encontrá-la. Até nossos melhores amigos, todos vivem numa impaciência sem limites.

Onde foi parar a paciência das pessoas?

A paciência é uma virtude que não pode ser confundida com a tolerância excessiva, com aceitação da falta de qualidade, com o não cumprimento de um dever. Uma pessoa paciente não é aquela que aceita tudo. É aquela que tem domínio sobre o seu ser. Tanto é verdade que o contrário de paciência é a ira, a raiva, a falta de controle sobre suas emoções. E os melhores sinônimos de paciência são a serenidade e paz de espírito ou ainda a capacidade de resistência a influencias externas e domínio da própria vontade.

Assim, quando digo que as pessoas estão perdendo a paciência, quero dizer que estão perdendo o controle sobre si mesmas e perdendo o domínio da própria vontade e se deixando levar pela emoção e não pela razão.

Benjamin Franklin afirmava que “ quem tem paciência, obtém o que deseja” e Isaac Newton disse: “ Se fiz descobertas valiosas, foi mais por ter paciência do que qualquer outro talento”.

A paciência é, pois, uma virtude que deve ser cultivada pelas pessoas. Ela pressupõe um exercício constante de empatia- ou seja- de se colocar do lugar das outras pessoas. Requer a humildade para respeitar opiniões alheias mesmo que delas discordando.

E para vivermos com qualidade dias tão tumultuados, estressantes e cheios de obrigações, é preciso de muita paciência.

DONOS DO MUNDO...

“Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

Algumas virtudes são filhas bastardas. Ninguém dá muita bola para elas, permitindo que mofem no rol das verdades que não se conectam com a vida normal.

São consideradas práticas reservadas aos mosteiros, ou para quem ambiciona ser canonizado.

Quem, num mundo como o atual, gostaria de ser manso? Esta virtude que soa como fraqueza, falta de consistência ou subserviência?

Os muito machos não desejam ser mansos porque evitam parecer afeminados. As mulheres não toleram a sugestão de serem mansas porque suspeitam que exista por detrás de tal proposta, uma ideologia para reforçar a secular dominação patriarcal sobre elas.

Convém procurar desmistificar o que seja mansidão. A raiz da palavra descreve apenas uma pessoa simples, humilde, ou gentil. Manso é quem não conquista nada pela violência e que, em seus projetos pessoais, mostra-se cuidadoso com o próximo.

As maiores ameaças à nossa humanidade estão ligadas ao poder e suas seduções. O poder nos torna arrogantes, frios, duros e inclementes. Somente a fragilidade nos torna dóceis, amáveis e de fácil relacionamento.

Tornamo-nos raquíticos quando ambicionamos o poder e nos fortalecemos quando acolhemos o singelo.

Os mansos são maleáveis, ensináveis e permitem o amadurecimento, enquanto a rigidez do poderoso o infantiliza. O simples pede: “Fale, que eu quero crescer”. O soberbo afirma: “Não preciso aprender mais nada”.

A altivez gera afastamentos, enquanto que a humildade nos capacita a conviver com o próximo.A empáfia nos impede de admitir que nosso próximo nos corrija. Assim, estancamos e nunca amadurecemos.

Quando crescemos em mansidão, aprendemos contentamento.Inúmeras tristezas nascem da frustração de sabermos que não possuímos o controle do nosso futuro; angustiados, somos tangidos, percebendo que nossa felicidade flutua de acordo com as marés circunstanciais.

Só os mansos abrem mão de suas falsas onipotências.

Só os mansos aprenderam a navegar despretensiosamente pela existência.

Só os mansos estão dispostos a perder a vida.

Só os mansos herdarão a terra.