segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Ame o Negligenciado
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Judas, o homem que nunca soube o que era conhecer
Eu fico pensando às vezes como Judas era. Qual a sua aparência, como agia, quem eram seus amigos.
Acho que pintei em minha mente um retrato dele.
Sempre o imaginei como um homem magro, de olhos redondos e negros, astucioso, vil; com barba pontuda e tudo. Minha ideia o mostrava distanciando dos outros apóstolos. Sem amigos. Remoto. Ele era sem dúvida desonesto e traiçoeiro. Provavelmente produto de um lar destruído. Um delinquente juvenil na adolescência.
Fico porém me perguntando se isso é mesmo verdade. Não temos qualquer evidência (salvo o silêncio de Judas), sugerindo seu isolamento.
Há pouca razão para crer que fosse desonesto. De fato, ele cuidava da tesouraria. Ninguém poria um ladrão para tomar conta do dinheiro.
Na última ceia, quando Jesus disse que seu traidor estava sentado' à mesa, não vemos os apóstolos se voltarem imediatamente para Judas como o culpado lógico.
Penso que julgamos Judas erroneamente.
Ele talvez fosse o oposto disso tudo. Em lugar de astucioso e magro, quem sabe era robusto e jovial. Em vez de calado e introvertido, poderia ter sido falante e bem-intencionado. Não sei.
Mas, apesar de tudo que não sabemos sobre Judas, de uma coisa temos certeza: ele não tinha um relacionamento com o Mestre.
Ele viu Jesus, mas não o conheceu. Ele ouviu Jesus, mas não compreendeu. Tinha religião, mas não comunhão.
Ao rodear a mesa no cenáculo, Satanás procurava um tipo especial de homem para trair o Senhor. Precisava de um homem que tivesse visto Jesus, mas não o conhecesse.
De alguém que soubesse dos atos de Jesus, mas não atentasse na sua missão.
Judas era esse homem. Ele conhecia o império, mas jamais conheceu o Homem.
Aprendemos esta lição eterna do traidor. As melhores armas de destruição de Satanás não estão fora, mas dentro da igreja.
Nenhuma igreja morrerá por causa da imoralidade em Hollywood ou da corrupção em Brasília. Mas morrerá corroída por dentro, por aqueles que levam o nome de Jesus, e nunca o conheceram.
Judas levava o manto da religião, mas jamais conheceu o coração de Cristo. façamos disso o nosso objetivo: conhecer... profundamente.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Receba Primeiro.Dê depois.
O que você faz quando está em baixa no amor?
Você tenta mudar o rumo pela força de vontade? Como se existisse dentro de nós uma destilaria de sentimento que apenas precisa de um pedaço de madeira ou uma chama mais quente. Nós botamos fogo nele e o atiçamos com resolução.
Qual é a nossa estratégia típica para lidar com um relacionamento problemático? Tentar mais.
"Meu cônjuge precisa do meu perdão? Não sei como mas vou dá-lo."
"Não me importo com o quanto isso doa, vou ser gentil com aquele ordinário."
"Devo amar meu vizinho? Ok. Fazer o quê? Eu vou."
Então tentamos. Dentes cerrados. Queixo imóvel. Vamos amar mesmo que isso acabe conosco! E é possível que aconteça exatamente isso.
Será que não está faltando algum passo?
Será que o primeiro passo para o amor não é para eles mas para Ele?
Será que o segredo de amar é receber?
Você demonstra amor por receber primeiro. "Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro." (I João 4:19).
Tardio em amar mais?
Comece aceitando sua posição de filho querido e amado. "Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou." (Ef. 5:1-2).
Quer aprender a perdoar?
Então reflita em como você foi perdoado. "Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo." (Ef. 4:32).
Acha difícil colocar os outros em primeiro lugar?
Pense em como Cristo colocou você primeiro. "o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia apegar." (Fp. 2:6).
Precisa de mais paciência?
Beba da paciência de Deus (II Pe. 3:9).
A generosidade é uma virtude ilusória?
Então leve em consideração o quanto Deus tem sido generoso com você. (Rm. 5:8).
Tem problemas em lidar com parentes mal agradecidos e vizinhos nervosos?
Deus lidou com você quando você fazia o mesmo. "Ele é benigno até para com os ingratos e maus." (Lc. 6:35).
Não podemos amar desta maneira?
Sem a ajuda de Deus não podemos.
Se não tivermos recebido essas coisas, como podemos dá-las aos outros?
Distante de Deus, "enganoso é o coração, mais do que todas as coisas". (Jr. 17:9).
O amor para salvar um casamento não está em nós.
A dedicação para preservar uma amizade não pode ser encontrada em nossos corações.
Precisamos da ajuda de uma fonte externa. Uma transfusão. Amaríamos como Deus ama? Então comecemos recebendo o amor de Deus.
Nós pastores temos sido culpados por pular esse passo. "Amem uns aos outros!" falamos em nossas igrejas. "Sejam pacientes, generosos e perdoem", argumentamos. Mas ensinar as pessoas a amar sem contar que elas são amadas é como pedir que façam um cheque sem termos depositado em suas contas.
Não é de surpreender que tantos relacionamentos estão acabando. Os corações não tem amor o suficiente.
O apóstolo João mostra a sequência correta. Ele faz um depósito antes de pedir para fazermos um cheque.
Primeiro o depósito: "Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados." (I João 4:9-10) e então, fazendo um depósito tão ultrajante e revelador, João apela pra mim e pra você para tirarmos o talão de cheques: "Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros." (v. 11).
O segredo de amar é viver amado. Muitas pessoas nos dizem para amar. Somente Deus nos dá o poder para fazê-lo.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Secretamente
Então, oremos para que Deus diminua a nossa tendência natural a procurar reconhecimento pessoal por quaisquer coisas boas que Ele permite que nós façamos.
Que não desejemos ser falsos, mas também não desejemos ser caçadores de glória...
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A Sacanagem Messianica
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Sem espaço para Quase
quarta-feira, 13 de junho de 2012
A força do Amor de Deus
“Pode alguma coisa fazer-me parar de amar você?”, indaga Deus.
Observe o Criador da vista e da audição, enquanto Ele espirra, tosse e assoa o nariz.
“Você indaga até onde irá meu amor?
“É o seu pecado que estou sentindo.
É o quanto eu amo você
Quem manda aqui?
Você não está sozinho.
- Mudo para São Paulo ou fico no Rio de Janeiro?
- Aposento-me ou continuo trabalhando?
- Vou ser engenheiro da IBM ou um balconista numa loja de departamentos?
- Devo casar-me ou ficar solteiro?
As perguntas são intermináveis. Uma segue-se à outra. Toda nova responsabilidade exige novas decisões.
- Que faculdade meu filho deve freqüentar?
- É hora de ter filhos?
- Devo morar perto da igreja ou não?
- Como é que podemos saber o que Deus quer?
- Buscar conselho?
- Orar?
- Ler a Bíblia?
Tudo isso está certo, mas existe uma decisão que deve ser tomada em primeiro lugar. (Espere um pouco, ela é difícil).
Para saber qual a vontade de Deus, devemos nos entregar totalmente à vontade de Deus. Nossa tendência é tomar a decisão por Deus. Eu costumava fazer isso com minha mãe.
Quando eu era criança detestava ficar resfriado por duas razões:
1) Eu sofria e
2) Minha mãe era enfermeira.
Como mamãe era enfermeira, ela sabia que a maneira mais rápida de curar a gripe era com agulha ...em meu traseiro.
Ai! (Eu cresci achando que "penicilina" era um palavrão).
Quando ela me dizia para ir buscar "o remédio", eu pegava tudo menos a odiosa agulha de injeção. Voltava com as mãos cheias: aspirina, gotas para os olhos, os ouvidos, o nariz, ataduras para o tornozelos, tudo menos penicilina. Mas, como as boas mães sempre fazem, ela não hesitava: " Você sabe que não é nada disso. Agora, volte", e ela sorria. Eu voltava e ia buscar a agulha.
O ponto a ser observado é este mesmo. Não vá para Deus com opções e esperando que ele escolha uma das suas preferências.
Vá para Deus com as mãos vazias...
Sem planos ocultos...
Dedos cruzados...
Nada escondido por trás das costas.
Vá até ele disposto a fazer o que quer que ele lhe diga.
Se você lhe entregar a sua vontade, ele irá então aperfeiçoá-lo em todo bem, para que você cumpra a vontade dEle (Hebreus 13.21).
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
JULGAMENTO É TRABALHO DE DEUS
"Espera pelo Senhor, e ele te livrará" (Provérbios 20.22)
Alguns de você estão na sala do tribunal. O tribunal de queixas.
Alguns de vocês estão reapresentando a mesma ferida a cada chance que têm de alguém os escutar.
Para você, tenho esta pergunta: Quem fez de você Deus?
Não quero ser arrogante, mas por que você está fazendo o trabalho dEle?
"Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor" (Hebreus 10.30).
Julgamento é trabalho de Deus.
Supor o contrário é supor que Deus não pode fazê-lo.
A vingança é irreverente.
Perdoar alguém é mostrar reverência.
Perdoar não é deixar que alguém que o prejudicou esteja certo. Perdoar é declarar que Deus é fiel e fará o que é certo.
Pense nisso,
quinta-feira, 1 de julho de 2010
A cruz universal como traição da cruz original
Não creio que o que vou dizer esteja convictamente firmado para mim, embora seja coerente o bastante para ser dito. O desenvolvimento da teologia da redenção pela cruz, do sacrifício perfeito, tornou-se um álibi poderoso e eficaz contra a narrativa do evangelho e o seu modus vivendi a todos oferecido – o que o vício não deixa mais ver na expressão “Reino de Deus”. A teoria da morte salvífica de Cristo, isto é, a morte que uma só vítima perfeita deveria sofrer em favor de todos, de um lado propicia um esquecimento sutil das razões históricas que levaram aquele rapaz para a cruz – a saber, a sua forma insensata de viver e promover vida – e de outro, censura veladamente a necessidade ou o perigo da imitação daquela vida. Se a agonia de Cristo é redentora (e o dogmatismo faz isso ser entendido de forma absurdamente transcendental a qualquer significado existencial) e se ele foi destinado para isso, estamos todos livres do sacrifício; e se a morte dele foi provocada pela forma de vida que ele vivia e promovia, estendemos até aí a nossa isenção. Eis a construção de um silogismo falso (e extremamente conveniente): se B (a morte) não nos pertence mais, e B (a morte) é uma extensão inevitável de A (a vida), então A (a vida) também não nos pertence mais. Se não preciso imitar ao Cristo sacrificado, não preciso imitar, tampouco, ao Jesus vivo. Girardianamente falando, o bode já foi sacrificado.
O rapaz monstruosamente torturado na cruz, que pouco antes encantava com seus gestos nobres e perturbava com suas palavras precisas, a quem atribuímos uma natureza divina, não permitiu durante todo o seu ensino errático ser alçado sozinho à condição de salvador, convidando, pelo contrário e a todo momento, a segui-lo, a imitá-lo, a fazer como ele fez. Como bem percebeu Irineu e Atanásio (para ficar nos mais antigos), queria nos fazer participar de sua condição; sendo ele o ponto de partida, o primeiro entre todos, o Desbravador, sabia que a redenção não é uma mágica, muito menos um absurdo sacrifício: ela se dá num contraste impossível de expressar, entre a conversão interior a cada pessoa e a irradiação irrefreável dessa postura no meio do mundo; a redenção é consequência de uma forma de estar nesse mundo. Por isso ele quer que a sua proposta continue com aqueles que a aceitaram. E a proposta historicamente localizada para o judaísmo legalista helenizado e romanizado do seu tempo é a irradiável e irremediável e graciosa generosidade de Deus, testemunhada no fato de que a vida, o sol e a chuva, são dados todo dia sem nenhuma exigência de pagamento – seja em boas intenções, seja em boas obras. Isso bate de frente com o ensino dogmático de um deus mesquinho e antropomórfico, que faz barganha, exige pagamentos. Entretanto, a Generosidade, que no fim das contas tomará conta de tudo e todos, precisa antes disso que os que a descobriram e a ela aderiram livremente vivam como se já estivessem lá naquele futuro. Ou seja, se acreditamos num Deus generoso, seremos divinamente generosos e portanto humanos em tudo, e isso vai ser irradiado. E é aqui que chega o “porém”…
Esse tipo de anti-teologia, no contexto em questão, só pode partir dos que nada têm a perder, e quando começar a irradiar vai fatalmente atingir quem quer que esteja numa posição de poder e obtenha ganhos com a teologia da culpa e da barganha com um deus implacável, mais juiz que Pai. Ou seja, isso vai atingir de cheio os poderosos do contexto em questão. Caso ocorra da forma convencional, esses caras vão fazer de tudo para manterem seu poder, inclusive matar os que se atreverem a ser generosos e bondosos. E é o Poder, qualquer poder que inflija culpa, separação e desigualdade, que os Desbravadores da Generosidade terão que negar e enfrentar, apenas portando a generosidade de um deus, o que pode levar à morte.
Portanto, a cruz não é necessária em si, sendo essa conclusão fruto da teologia pagã do mérito. A cruz é conseqüência de um confronto direto entre a Generosidade e o Poder, o Humano e o Satânico, dois elementos antagônicos da trama novelesca em que a vida se desenrola. O dramático é que para a Generosidade se livrar da cruz tem que usar um expediente de Poder e, assim, ser transformada no seu oposto. Pra permanecer generosa a Generosidade tem que se despir de qualquer poder. Sendo assim, e aplicando a anti-teologia a um caso específico, o de onde ela nasceu, Jesus não morreu piedosamente por mim, morreu desgraçadamente porque esses conceitos – Poder e Generosidade – não são entidades transcendentais, são atos e inclinações de gente humana; morreu tragicamente pelas mãos dos teólogos dogmáticos de seu tempo, judeus e romanos; morreu terrivelmente porque escolheu a Generosidade enquanto todos escolhiam o Poder, e morreu assustadoramente porque combateu o Poder com a Generosidade, morreu, enfim, pela covardia dos que escolheram o Poder.
Uma escandalosa corrupção do evangelho foi utilizar como sacrifício redentor a morte desnecessariamente dolorosa de quem abolira a necessidade de sacrifícios redentores. Assim como a mensagem do evangelho de Jesus é totalmente circunstancial e histórica, espalhando-se dentre a história de várias maneiras, também são circunstanciais e históricas sua tortura e sua morte. A cruz para Jesus, como tinha sido a cicuta para Sócrates, como foi a má-fama para Francisco de Assis, o desprezo para Nietzsche, a bala para Gandhi (para ficar nos mais famosos), nada disso era necessário, embora já estivesse cotado nas apostas deles mesmos como consequências. Deus aparece no anti-poder não por necessidade intrínseca a ele, mas por necessidade circunstancial, porque não pode deixar de ser Deus, ou seja, Generosidade. E para permanecerem na Generosidade, todos estes apresentadores de Deus julgaram necessário não abrir mão de abrir mão de qualquer poder, cada qual a seu modo, cada qual com sua linguagem, cada qual com sua cruz.
Não sei se eu percebi errado, mas me parece que o rapaz que foi crucificado propunha que se eu gostasse da sua proposta e escolhesse a Generosidade em vez do outro lado, teria que incluir essa fatalidade nas minhas pretensões. É bem possível que essa seja a causa de eu ser tão indeciso e errático e de eu carregar essa tendência pagã de freqüentar igrejas onde a imagem da cruz e as dores do crucificado são arrancadas do seu terrível significado histórico e alçadas à dignidade farisaica de universais.
Drogas na igreja...
Prometa-me que vai ler até o fim…
“No meio da sua praça, em ambas as margens do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês. E as folhas da árvores são para a cura das nações.” Apocalipse 22:2
Para quem imagina que o tema tratado em Apocalipse seja o fim do mundo e a vida na eternidade, como explicar o verso acima?
A Nova Jerusalém descrita no capítulo anterior é uma figura da igreja de Cristo, uma vez que é apresentada como a esposa do Cordeiro. Ora, que outra esposa Ele teria senão Sua igreja? Trata-se, portanto, da sociedade dos santos, locomotiva da civilização do Reino de Deus.
Se a Nova Jerusalém fosse algo a ser esperado no futuro, para além da História, que sentido faria seus muros? De quê a cidade precisaria se proteger, já que os inimigos de Deus terão sido aniquilados?
O vidente João diz que não havia templos na cidade. Portanto, não se trata de uma sociedade religiosa. O Cristianismo original não pretendia ser uma nova religião, mas a pedra fundamental de uma nova civilização. Embora não houvesse santuários, havia uma praça. O que isso nos diz? Praça fala de vida social, de interação, lugar de encontro, de diálogo, de luz, fora das quatro paredes. E no meio desta praça, em vez do coreto encontramos uma árvore.
Quem é, afinal, o centro de todas as nossas atividades? Quem ocupa o lugar central de nossas existências? De quem nos alimentamos? Em quem encontamos o fruto da vida eterna? Não há outra resposta possível senão uma: CRISTO! Ele é a Árvore da Vida! Foi Ele quem disse: “Quem de mim se alimenta, por mim viverá!”
Seus frutos não são esporádicos, mas constantes. Toda estação é propícia para dar seus frutos.
O que mais chama a minha atenção neste verso em particular é a última sentença.
Naquela época era comum o uso de folhas como remédio. É daí que vem o hábito de tomar chá, fartamente cultivado nas cidades grandes. Ninguém duvida do poder medicinal que tem algumas plantas. Lembro-me do quanto chá de quebra-pedra tive que tomar quando sofri de cálculos renais. E ainda hoje, quando não consigo dormir, recorro ao chá de camomila ou de erva-doce.
Como se processa o chá? Folhas são deixadas por alguns minutos em água fervendo. Aos poucos, a água vai absorvendo as propriedades da planta, mudando sua coloração. O nome deste processo é infusão.
Estudos sugerem que o chá tem muitas propriedades benéficas importantes, por exemplo: é anticancerígeno, aumenta o metabolismo, ajuda o sistema imunológico, reduz o mau-hálito, diminui o stress, tem efeitos até sobre o HIV.
A folhagem da árvore da vida aponta para a inserção da igreja na vida social do mundo. Em vez de assimilarmos, somos assimilados.
Isso explica porque Deus não removeu Seu povo deste mundo. Nossa vocação promordial é a de ser sal da terra, provendo não apenas sabor, mas também preservação.
Para tal, temos que estar inseridos na xícara (mundo), liberando nossas propriedades terapêuticas.
Em vez disso, tornamo-nos numa sociedade extremamente religiosa e alienada do mundo. Cristo almeja curar as nações, e o único remédio de que dispõe já foi ministrado: é a presença da igreja no mundo.
A igreja precisa inserir-se na cultura, nas ciências, na política, no mundo empresarial, na educação, etc. Não me refiro à igreja como instituição, mas como organismo vivo, representado por cada um dos seus membros.
Marx tinha razão. A religião é o ópio do povo. Trazendo pra nossa realidade latino-americana, diríamos que a religião é a cocaína do povo. De onde vem a cocaína? Ou mesmo a maconha? De folhas. Tais plantas foram igualmente criadas por Deus, e têm, comprovadamente, propriedades medicinais. Porém, Deus não as criou para serem fumadas, ou transformadas em pó para ser inaladas.
Da mesma forma, a impressão que se tem é que a igreja entrou no ramo de tráfico da droga religiosa. Estamos oferencendo ao mundo o produto da árvore da vida processado para ser fumado e cheirado.
Que efeito a droga produz no usuário? Entorpecimento. Quem usa droga fica desligado da realidade. Cria até uma espécie de realidade paralela, onde a fantasia se confunde com o mundo real. Até que ponto a mensagem que tem sido pregada em nossos púlpitos não tem efeito alucinógeno nos crentes?
Que pena! O que deveria ser remédio, virou droga. E que droga!!!
Ao invés de nos posicionarmos no centro da praça, preferimos a comodidade dos guetos. Sentimo-nos mais seguros na pinumbra, com nossa subcultura, nosso evangeliquês imbecilizado. Enquanto isso, a criação segue aguardando impaciente a manifestação dos filhos de Deus.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
A Coroa...
O Rei Charles tinha uma coroa de oito lados. Cada um dos oito lados era uma placa de ouro. Cada placa era revestida de esmeraldas e pérolas.
Ricardo Coração de Leão, Rei da Inglaterra, tinha uma coroa tão pesada que precisava de dois homens para segurá-la na sua cabeça.
A rainha Elizabete tem uma coroa que vale $20 milhões.
Mas, junte todas estas coroas e elas não valem um tostão em comparação às coroas que Cristo tem.
Apocalipse 19:12 diz que Jesus tem "muitas coroas".
Ele tem a coroa da justiça.
Ele possui a coroa da glória.
Ele tem a coroa da vida.
Jesus tem a coroa de paz e de poder.
Mas, de todas as coroas que Jesus possui, uma é a mais querida de todas.
Esta coroa não foi fabricada com ouro nem prata.
Ela não é coberta de jóias.
Esta coroa não foi feita pelas mãos de um mestre artesão.
Esta coroa foi formada às pressas, pelas mãos rudes de um soldado Romano.
Esta coroa não foi colocada na cabeça de Jesus numa cerimônia de glória e honra.
Ela foi colocada em Jesus num ato de humilhação.
É uma coroa de espinhos.
O impressionante sobre esta coroa, a coroa que Jesus escolheu para si, é que, de todas as coroas que ele poderia ter escolhido, esta não pertencia a Jesus.
Esta coroa era sua.
Você merecia usar esta coroa.
Você merecia sentir os espinhos.
Você merecia sentir o sangue descendo pelos seu rosto.
Você merecia os insultos, os açoites e os pregos.
Você merecia a morte.
Porque o pecado - pelo qual Jesus morreu – era seu.
Você merecia todo o sofrimento que Jesus passou.
Mas, para você, e para mim, Jesus reservou outra coroa.
Ele tomou a nossa coroa e nos oferece até hoje a coroa que era dEle - a coroa da vida eterna.
Por causa do poder do amor dele.
Um amor tão grande que escolheu o pior para si e o melhor para nós.
Um amor tão forte que nem o túmulo pôde conter.
Este é o amor de Jesus por nós – a verdadeira mensagem do evangelho da Graça de Deus!
LIBERDADE DE EXPRESSÃO....
"Pensai por conta própria e deixai que os demais desfrutem do direito de fazer o mesmo". Voltaire
Um dos pilares da democracia é a liberdade de expressão. Qualquer tipo de censura é contrário ao espírito democrático. Parafraseando Voltaire, ainda que eu não concorde com as idéias de alguém, devo defender o seu sagrado direito de expressá-las.
Se impedirmos que as pessoas se expressem livremente, jamais saberemos o que há em seu coração. Estaremos forçando-as a viver hipocritamente.
Sobre isso, Jesus disse:
"Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má e o seu fruto mau, pois pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda palavra frívola que os homens proferirem hão de dar conta no dia do juízo". Mateus 12:33-36.
Liberdade de expressar suas idéias, opiniões, dúvidas, anseios e temores, é condição sine qua non para que o ser humano desfrute de saúde emocional.
Entretanto, deve-se tomar cuidado para que tal liberdade não esbarre no bom senso, possibilitando denegrir pessoas e instituições, e insuflando a sociedade a cometer injustiças. Como disse o escritor e médico americano Oliver Wendell Holmes, "liberdade de expressão não dá direito a alguém de gritar 'Fogo' em um teatro lotado".
A liberdade de expressão, como todo poder, demanda responsabilidade. Não se trata de censura, ou de algum tipo de mordaça, mas de responsabilidade. Quem quer desfrutar de plena liberdade de expressão, tem que estar disposto a arcar com a responsabilidade sobre aquilo que diz e faz.
Todo ser humano tem o direito de discordar, questionar, argumentar e defender suas idéias. Ninguém deve ser privado desse direito, nem mesmo no ambiente eclesiástico.
Uma das coisas que mais me atraem nas Escrituras é a franqueza e honestidade com que são expostos seus personagens e suas respectivas histórias. Encontramos de tudo nas páginas do texto sagrado: homicídios, genocídios, estupro, incesto, adultério, corrupção. Jamais foi propósito de Deus jogar a poeira pra debaixo do tapete. A mesma Bíblia que fala dos feitos heróicos de Davi, também revela suas ambigüidades, seu adultério, sua péssima atuação como pai, etc. Deus não poupou nem aquele que fora chamado de “o homem segundo o coração de Deus”.
Recentemente, houve uma campanha em Hong Kong, para que a Bíblia fosse proibida para menores de 18 anos, por causa de seu conteúdo explícito e impróprio para mentes imaturas.
Qual deveria ser nossa postura como cristãos diante da censura? É certo censurar obras de arte? É ético conceder ao Estado o direito de dizer o que deve ou não ser acessível ao público?
Ora, se os cristãos resolvermos pressionar o governo a promover algum tipo de censura nos meios de comunicação, devemos estar preparados para sermos vítimas do próprio feitiço. Deveríamos ser gratos a Deus pela liberdade de expressão que a democracia nos garante.
Todavia, convém lembrar que essa estrada tem mão dupla. Assim como queremos opinar sobre assuntos controversos como o homossexualismo, o aborto, e outros, devemos estar prontos para ouvir e receber com humildade as eventuais críticas e opiniões contrárias a nosso respeito.
Não podemos, simplesmente, querer calar a boca de quem pensa diferente de nós. Somos uma sociedade pluralista, e devemos ser agradecidos por isso. Pergunte a quem vive em um país islâmico fundamentalista o que acha da liberdade de que usufruímos em nosso país.
Prensa na Imprensa
A imprensa deve ter completa isenção para publicar a verdade sem parcialidade. Nenhum órgão de imprensa deveria estar ideologicamente comprometido. Infelizmente não é isso que constatamos. Já que esse ideal parece não ser alcançável, somente os articulistas dos jornais deveriam expressar suas opiniões particulares, e a direção deveria restringir-se a expressar suas opiniões em seus editoriais. Porém, os repórteres deveriam limitar-se a publicar as notícias com isenção e sem parcialidade.
Deve-se dar a notícia, e deixar que o leitor faça sua própria interpretação.
Quando João, o Batista, enviou dois de seus discípulos para conferir se Jesus realmente era o Messias, ou se deveriam continuar esperando, Ele respondeu: "Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho" (Mt.11:4-5). Jesus não disse que sim, nem disse que não. Apenas pediu que eles reportassem a João tudo o que haviam visto Jesus fazer. O Mestre sabia que João encontraria a resposta tão logo recebesse a reportagem dos seus discípulos.
Não se pode subestimar a capacidade de compreensão que as pessoas têm, nem tampouco achar que devamos pensar por elas. Deixemos que tirem suas próprias conclusões. Não as manipulemos, nem as façamos aderir às nossas opiniões.
Idéias devem ser concebidas, e não adotadas
Foi Sócrates, o grande filósofo grego, que criou um método de ensino chamado maiêutica, que significa "o parto de idéias", em homenagem à sua mãe, que era parteira. Na maiêutica, Sócrates estimulava seus alunos a dar à luz novas idéias. Em vez de lhes dar respostas fáceis, pré-fabricadas, mastigadas, Sócrates lhes respondia sempre com uma nova pergunta. Seu objetivo era que o discípulo encontrasse a resposta por si mesmo, e assim, se sentisse pai daquela idéia.
Uma idéia adotada é facilmente abandonada. Mas uma idéia parida, concebida pela própria pessoa, dificilmente é descartada.
Jesus usava método semelhante em Seu ministério. Muitas das perguntas que lhes eram feitas, eram respondidas com outras perguntas.
Quem defende a liberdade de expressão, deve igualmente defender a liberdade de pensamento.
Concordo com o Prof. Dr. José Luiz Furtado, que em seu texto “O que significa pensar’, conclui: “Se é verdade que o pensamento constitui a essência do homem, então nossa época é paradoxal. As informações circulam em quantidade surpreendente, através de meios de comunicação cada vez mais sofisticados e eficazes. Entretanto, a liberdade de expressão, quando reduzida à liberdade de imprensa, parece caminhar em sentido contrário à liberdade de pensamento. No momento em que tudo pode ser dito e comunicado, quase nada do que se veicula pela mídia é verdadeiramente pensado.”
O papel da imprensa é dar a notícia, mas jamais manipular a opinião de seus leitores.
Internet e livre acesso à informação
Foi em 1844 que Samuel Morse ajudou a anunciar o início da era da comunicação, ao telegrafar de Washington para Baltimore a frase que foi imortalizada: “Que obra fez Deus!”
Era o início de uma revolução, um caminho sem volta. A estrada da comunicação tem mão dupla: liberdade de expressão deve vir acompanhada de livre acesso à informação.
Com o advento da internet em anos recentes, muitas barreiras tiveram que ceder à liberdade expressão e ao livre acesso à informação. Mesmo países onde a censura ainda prevalece, internautas têm acesso quase ilimitado às informações contidas na grande rede mundial de computadores.
Acredita-se que, até 2020, a Internet vá dar acesso à soma total da experiência humana neste planeta, o conhecimento coletivo e a sabedoria dos últimos cinco mil anos de história registrada.
A revolução que estamos presenciando vai afetar a sociedade humana de maneira mais profunda e abrangente do que a revolução industrial.
Espero que a igreja de Cristo saiba usar esta poderosa ferramenta, não para impor a verdade a ninguém, mas simplesmente para dar a boa notícia de que Cristo está reinando soberanamente, conclamando aos homens a que se reconciliem com Ele. Deixemos ao Espírito Santo o papel de convencer e converter os corações.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Cura para Surdez Espiritual
Com toda certeza, sabemos o que é relevante. O que aconteceria se pensássemos um pouco no que é irrelevante?
Houve um tempo em que eu considerava os eremitas reclusos intratáveis, caracterizados principalmente pela obsessão com eles mesmos e pela falta de traquejo social – pessoas parecidas com o Unabomber. Thomas Merton corrigiu meu erro. “Para ser loucos, precisamos de outras pessoas”, explicou ele. “Quando ficamos sozinhos, logo nos cansamos de nossa loucura. Ela é exaustiva.”
Um livro recente de Peter France, Hermits (Eremitas), ajudou a completar o quadro. France desistiu de uma carreira bem sucedida na BBC para se dedicar a uma vida de contemplação em uma ilha grega. Não fez isso como ato de sacrifício, mas sim para buscar a sabedoria que apenas os que vivem em solitude encontram. Viver longe da pressão da opinião popular “confere percepções que não estão disponíveis na sociedade”, concluiu ele.
Santo Antônio do Egito, o famoso Pai do Deserto, escolheu a vida de eremita para um contraste deliberado com sua vida elitizada. Depois de 20 anos isolado, sem ver um rosto humano sequer, ressurgiu saudável, equilibrado e cheio de conselhos sábios. Daí em diante, passou a alternar períodos de isolamento com visitas pastorais. France compara esse padrão ao dos cientistas que trabalham sozinhos na busca de cura para doenças fatais.
Claro que não se pode ler sobre eremitas sem encontrar estranheza. Certo monge desejava uma bela mulher. Ela morreu e ele foi até o túmulo, tirou-lhe a túnica e secou com ela os fluidos do corpo da mulher. Com o mal cheiro perto dele, em sua cela, ele dizia a si mesmo: “É isso que você desejava – aproveite bem”.
Há monges que competem em um tipo de Olimpíada asceta, observando quanto tempo conseguem ficar sem alimento, água ou sono. Eles também possuem um método em sua loucura: as privações causam tanto sofrimento que não deixam espaço para pensamentos carnais.
Frances narra outras histórias que lançam uma luz diferente sobre esses eremitas. Um irmão se gabava de sua disciplina alimentar. O orientador espiritual respondeu: “Não me importa, filho, se você passou 30 anos sem comer carne. Mas quero saber a verdade: quantos dias você passou sem falar mal de seu irmão? Sem julgar o próximo? Sem permitir que seus lábios pronunciassem palavras vãs?”.
A sede de isolamento parece crescer toda vez que a sociedade entra em turbilhão. Os judeus essênios se retiraram para o deserto nos dias de Jesus; Buda afastou-se de todos para se purificar de ilusões sociais; Gandhi mantinha silêncio total às segundas-feiras, prática que não interrompeu nem para reunir-se com o rei da Inglaterra.
A Solitude arranca todas as máscaras e disfarces e quebra dependências desnecessárias aos bens materiais. Henry Thoreau demonstrou uma mistura peculiar de ascetismo, amor à natureza e autoconfiança. Um dos amigos dele comentou que Thoreau aproveitava mais 10 minutos passados com um rouxinol do que a maioria dos homens desfrutaria em uma noite com Cleópatra. Thoreau insistia: “Nunca encontrei companheiro tão agradável quanto a solitude”.
No fim do século XVIII e início do XIX, os ingleses da baixa nobreza contratavam “eremitas de ornamentação”. Reconhecendo o valor da solitude, mas sem disposição para suportar os rigores que ela impõe, os ricos abrigavam esses substitutos em pequenas habitações nos jardins luxuosos. Se você não pode se dedicar a uma vida de simplicidade e oração, por que não pagar alguém para fazer isso em seu lugar?
Thomas Merton foi o melhor apologista da vida de solitude em nosso século. Considerava a vida em sociedade um verdadeiro sacrifício e solicitava constantemente o privilégio da solitude, que só lhe foi concedido após 24 anos. Merton ansiava por se unir aos “homens nesta Terra miserável, tumultuada e cruel, homens que saboreavam a alegria maravilhosa do silêncio e da solitude, que habitavam em celas nas montanhas esquecidas, em monastérios isolados, onde notícias, desejos, apetites e conflitos do mundo não os alcançavam”. Ainda assim, insistia que “a única justificativa para uma vida de solitude deliberada é a convicção de que ela ajudará a amar não apenas a Deus, mas também o semelhante.
Merton provou que a vida de solitude não leva, necessariamente, ao isolamento ou à estranheza. Nosso século não conheceu observador da política, da cultura e da religião mais preciso do que esse monge que raramente falava e não deixava quase nunca o monastério.
Fico surpreso por a Igreja não ter reagido ao tumulto do século que termina com um movimento rumo à solitude. Elias, Moisés e Jacó encontraram-se com Deus quando estavam sozinhos. O apóstolo Paulo, João Batista e o próprio Jesus saíram para o deserto em busca de alimento espiritual.
É fato certo que dominados a relevância. As páginas de organizações religiosas na internet são um primor técnico. Novos grupos de música cristã brotam aos montes, em resposta à menor alteração cultural. O que aconteceria se buscássemos um pouco de irrelevância?
O que aconteceria se todos os cristãos fizessem uma caminhada de duas horas pela natureza todas as semanas, sem falar? Ou se, como Gandhi, observássemos um dia de silêncio? Ele escolheu as segundas-feiras. O que aconteceria se ficássemos em silêncio todos os domingos, depois da Escola Dominical? Sendo ainda mais radical, o que aconteceria se silenciássemos todos os eventos esportivos da televisão e do rádio nos domingos?
É melhor eu parar aqui. Como os eremitas nos mostram, essas disciplinas espirituais podem sair de nosso controle.
JESUS NÃO É MARCA
A evangelização na era do consumo tem muito do discurso do marketing – mas a Igreja não pode oferecer o Evangelho como bem de consumo
A marca Jesus é uma das mais conhecidas e rentáveis do mundo. O nome do Filho de Deus acompanha a humanidade há dois milênios, resistiu a toda sorte de crises – da opressão romana no início da Era Cristã ao comunismo, das trevas da Idade Média ao ateísmo filosófico do século 19 – e é a razão da fé de pelo menos 2 bilhões de pessoas. Seus ensinos e as frases que disse em seu ministério terreno – como o genial “Dai a César o que é de César” ou o inquietante “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” – fazem parte dos mais diversos cases de marketing.
Mas são justamente as estratégias empregadas na propagação do Evangelho que têm causado mais controvérsia. Esta é a questão que se levanta quando pesamos os métodos de evangelismo público por parte de igrejas marcadas pela cultura ocidental, saturadas pelo marketing.
Ora, qualquer secundarista sabe que marketing pode ser definido como todas as atividades que ajudam empreendedores a identificar e moldar o desejo de seu alvo, os consumidores – e, então, satisfaze-los mais do que seus competidores o fazem. Isso geralmente envolve pesquisas de mercado, análise das necessidades do cliente, e, então, decisões estratégicas sobre design de produtos, preços, promoções, propaganda e distribuição.
A Igreja enfrentou – e enfrenta – questões inevitáveis por escolher manter o evangelismo pessoal e testemunho público em uma sociedade marcada por uma cultura consumista. A primeira questão é: Será que devemos transformar em artigo de mercado a Igreja e a mensagem de Cristo? Podemos usar técnicas de marketing no cumprimento do “Ide” de Jesus?
Temos condições de mudar o meio sem afetar a mensagem? Ou será que o próprio meio do marketing mancha nossa pregação, fazendo-nos resistir até o último suspiro a toda acomodação à nossa cultura de consumo?
Parece evidente que, a menos que nos abstenhamos de toda forma de evangelismo, o marketing é inevitável. Se ele é a linguagem da nossa cultura, os cristãos devem ter fluência nele, da mesma forma que os missionários transculturais precisam dominar o idioma dos povos aonde vão atuar.
O marketing é apenas a última encarnação dos clássicos modelos evangelísticos, como a persuasão e o exemplo de vida. Por esta perspectiva, o erro estaria em fazer um marketing da Igreja de forma pobre, o que a faria parecer menos do que ela é – como uma marca indesejável – para um público de não cristãos. Deve-se ter em mente, também, que o marketing tem um problema: às vezes, ele leva as pessoas a fazer exatamente o oposto do desejado.
Conflitos com a vida cristã – Em outros termos, as pessoas que respondem ao marketing eclesiástico encaram Jesus como uma mercadoria. Este é o primeiro e grande problema, pois isso é blasfêmia: nós estamos falando sobre o Logos encarnado, e não sobre uma logo. Por outro lado (caso blasfêmia não seja o suficiente…), isso deveria nos preocupar pelo problema que traz para o discipulado. O consumismo não é apenas um fenômeno social – é espiritual. Ele vem dos hábitos e comportamentos espirituais que conflitam com as práticas particulares da vida cristã.
Existem vários conflitos desta natureza, mas quatro se destacam como mais arriscados:
1. “Você é o que você compra” versus senhorio de Cristo – Em uma sociedade consumista, a identidade das pessoas vem do elas consomem. O principal foco de uma sociedade consumista é o consumidor – o que é essencial. Marcas comerciais não fazem nada para abalar essa auto-suficiência fundamental; na verdade, elas dependem disso. A dinâmica é simples – nós pagamos pelo privilégio de algumas marcas porque gostamos do que elas fazem por nós. Em contrapartida, as marcas estão bastante satisfeitas em receber nosso dinheiro. Consumidores espirituais, portanto, haverão de se aproximar da Igreja com o mesmo narcisismo com o qual se aproximam das demais marcas, com questionamentos como: “O que estou expressando a meu respeito, caso eu compre a marca Jesus?”; ou “Como o cristianismo completará a visão que eu tenho de mim mesmo?”.
A implicação teológica disso é: eu pertenço a mim mesmo. Sou meu próprio projeto, meu próprio produto. Essa é uma terrível rejeição à glória que deve ser dada a Deus como Criador. O perigo está no fato de que a Igreja passa, com isso, a transformar rapidamente o Evangelho em mera ferramenta de preenchimento pessoal. Pregações e evangelismo que enfatizam apenas os benefícios de se tornar um crente apresentam uma mensagem não muito diferente das propagandas que falam sobre as vantagens de determinados modelos de carros, por exemplo. Essa atitude prejudica o crescimento dos discípulos rumo a uma vida centrada em Deus e no próximo. Sim, a vida cristã traz plenitude para além da imaginação; mas ela vem apenas quando buscamos a Deus mais do que a nós mesmos. Aqueles que vêm à igreja esperando satisfações de mercado e procurando apenas salvar sua vida não encontrarão nem uma coisa nem outra.
2. Descontentamento versus a suficiência de Cristo – Embora o consumismo prometa plenitude pessoal, os ciclos econômicos dependem inteiramente de um descontentamento contínuo. No fundo, o consumismo não se trata apenas de comprar um produto novo, mas sim, de adquirir esse produto para que você se sinta novo. As pessoas que trabalham com o marketing sabem disso e planejam seus produtos de tal forma que o consumidor sempre é levado a desejar o novo que está por vir, o último modelo do que já tem.
Consumidores descontentes também carregam uma armadilha espiritual semelhante. Inicialmente, nossa busca perpétua por conforto e felicidade, na verdade, aniquila-se toda chance de satisfação de nossos desejos.
O prazer de comprar um novo produto ou serviço, na verdade, durará pouco tempo. Logo vai embora – e o pior é que imediatamente depois, passamos a desejar algo novo. Em seguida – e esta é uma questão perversa –, nós não conseguimos lidar com desconforto.
Como consumidores, buscamos novos produtos quando percebemos os primeiros sinais de irritação. Como as clinicamente identificáveis dependências de compras, esse é um espantoso indicador de uma cultura decadente.
A maioria das pessoas, nos mais diversos lugares, não tem o luxo de lutar por vidas livres do sofrimento e da dor. Evidentemente, termos todas as nossas necessidades sempre supridas é precisamente o oposto do que o discípulo deve experimentar. Paulo mostra uma indiferença quanto às circunstâncias da própria vida, sentimento que era fruto de sua maturidade espiritual: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.
Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.11-13).
A questão levantada pelo apóstolo não é que veremos todas as nossas necessidades prontamente assistidas, mas que, fazendo de Jesus o Senhor de fato de nossas vidas, precisaremos cada vez de menos coisas para termos satisfação completa. O discipulado, presente na comunidade cristã, tem como objetivo satisfazer com uma só coisa: o senhorio de Cristo em sua vida.
3. O relativismo das marcas versus o senhorio de Cristo – Um bom profissional do marketing busca formar um tipo de pessoa que se identifica tanto com sua marca que passa a considerar algo inimaginável a possibilidade de viver sem ela. Em se tratando de valores, esse tipo de entusiasmo parece indicar uma superioridade das marcas na vida de alguém.
Entretanto, subjacente a esse fanatismo pelas marcas, está o relativismo inerente no consumismo. Uma marca de celular não é inerentemente melhor do que a concorrente, embora produtos do gênero precisem ter certa dose de competição técnica. Uma delas pode até fazer um melhor trabalho de capturar as mentes e os corações; todavia, dizer que determinado logo é melhor do que outro é tão ridículo quanto afirmar que os moradores de Boston são melhores do que os moradores de Chicago.
Melhores por quais padrões? Para ser honesto, as marcas comunicam coisas diferentes umas das outras. No mercado americano de automóveis, Mercedes representa luxo, enquanto Honda expressa confiança. Ambas, porém, fazem o que devem fazer em termos de qualidade.
Portanto, a superioridade de uma sobre a outra está única e exclusivamente na cabeça do consumidor.
O consumidor que compra nosso marketing fará de Jesus sua marca escolhida, e o zelo resultante dessa escolha parecerá fé apaixonada. Aparências nos desapontam. Uma fé genuinamente apaixonada está enraizada em quem Cristo de fato é. Um zelo pela marca, por sua vez, está centrado na própria pessoa, pois a superioridade de uma marca sobre a outra depende tão somente do entusiasmo do seu devoto.
O zelo existente mascara a arbitrariedade da escolha. Entretanto, a escolha por Cristo não é arbitrária. Se um consumidor descontente com uma marca de TV escolhe outra, a primeira perde e a segunda ganha. Mas se uma pessoa deixa de escolher a Cristo para servir a outros deuses – ou a deus algum –, Cristo não é nem um pouco diminuído.
Consumidores espirituais não têm porque achar que o cristianismo não é uma opção entre muitas. Entretanto, a santidade na vida de uma igreja é um grande testemunho do contrário.
A igreja revela a supremacia de Cristo em um mundo que nega seu poder quando ama o que não é amado, perdoa o imperdoável, promove reconciliações aparentemente impossíveis e faz a perseverança triunfar sobre as dificuldades.
4. Fragmentação versus unidade de Cristo – A chave para o sucesso no marketing é a segmentação: dividir determinada população em grupos identificáveis por suas preferências relacionadas ao consumo. Trata-se de uma análise demográfica. Um profissional do marketing pode olhar para as contas mensais de uma pessoa, ou apenas para o CEP de seu endereço e descobrir coisas importantes para acerca de seu perfil de consumo.
As segmentações nos chamados nichos de mercado permitem aos marqueteiros concentrar suas mensagens em públicos mais restritos, tornando-as mais eficazes. Isso tem permitido que o ser humano do século 21 com capacidade de consumo possa viver praticamente alocado dentro de suas preferências.
Vivemos em bairros residenciais com pessoas que se parecem conosco, vamos a igrejas cujos membros têm perfil social semelhante ao nosso, passeamos com companheiros que têm os mesmos gostos que nós. Tudo isso contribui para relutarmos contra a vida em contextos nos quais as pessoas não são como nós.
Isso, é claro, é um problema para a Igreja. A unidade cristã é um valor bíblico inegociável. Pense na oração de Jesus em João 17, na exortação de Paulo aos filipenses para que fossem um com a mente de Cristo, ou na metáfora da Igreja como o corpo de Cristo, com diferentes membros igualmente importantes em suas funções.
Como Paulo afirmou em Gálatas 3.28, a unidade de Cristo rompeu todas as principais diferenças da sociedade romana: de tribo, classe e gênero. Com efeito, nenhuma identidade importa tanto quanto a identidade cristã.
Precisamos, portanto, estar atentos para as infiltrações da segmentação do marketing nas nossas igrejas. Isso tem provocado duas inaceitáveis consequências: igrejas extremamente homogêneas representando tendências consumistas e, na outra ponta, pequenos grupos homogêneos dentro de grandes igrejas.
Ambas as tendências tendem a nos separar dos que nos parecem “diferentes” e a nos levar uma comunhão restrita por padrões sociais, culturais, etários ou até mesmo étnicos – ou seja, caímos no nicho eclesiástico. Certamente foi a isso que Paulo referiu-se como “conformação com este século”, citada em Romanos 12.2.
O consumismo veio para ficar. Hábitos como autocriação, descontentamento, relativismo e fragmentação se tornarão mais dominantes nos próximos anos. Essa é a forma que a economia global e as transações comerciais julgam ser interessante.
Não podemos derrotar nossa realidade; podemos, sim, viver de forma fiel em meio a esse contexto. Para isso, é fundamental nos lembrarmos da natureza da Igreja de Cristo. Em todas as épocas, cristãos têm lutado para defini-la; é uma tarefa difícil porque é a única instituição divina e humana ao mesmo tempo.
A Igreja é como uma família, um reino, uma organização social, uma reduto de vida, de companheirismo e – para os nossos dias – um mercado. O problema se instaura quando procuramos definir a Igreja como um todo a partir de apenas um de seus aspectos. Ou seja, tratando-a como um mercado que tem uma marca a ser vendida. Se tratarmos o Evangelho como um produto, não estaremos levando aqueles que não crêem a pensar na cruz como apenas mais um logo?
Nós também precisamos entender, porém, que, não importa o que façamos, o consumismo inevitavelmente estará presente na forma pela qual as pessoas veem a Igreja em nossa sociedade. Toda nossa comunicação da Palavra de Deus será encarada como um marketing; toda exposição dos conteúdos do Evangelho será tida como um produto.
E o evangelismo será vist como uma venda. Nada há que possamos fazer para mudar esse contexto. Há ainda mais razões para desafiarmos as expectativas. Consumidores espirituais virão às nossas igrejas como vão às vitrines das lojas nos shoppings, procurando um produto que combine com suas preferências.
Eles desejarão isso porque consumir é a única salvação que eles conhecem. Trarão todos os seus recursos e terão grande dificuldade em entender a graça de Deus, porque não conseguem conceber algo que não pode ser comprado.
Eles virão à nossa vitrine buscando o que querem, da mesma forma como fizeram aqueles que foram a Jesus, em seus dias, buscando comprar seus produtos – os milagres que operava. Naquela época, eles estavam procurando por um mestre, um homem louco, um profeta ou revolucionário, e – no fim – por um cadáver. Hoje, eles estão buscando uma marca espiritual.
Nos dias de Jesus na Terra, quem o procurou encontrou um Messias vivo e um Senhor. Eles encontraram o Deus pelo qual nem mesmo estavam procurando. A pergunta que nos cabe, hoje, é se aqueles que o buscam hoje haverão de achá-lo no que se chama de corpo de Cristo, chamado para transformar o mundo – e se, procurando algo novo para comprar, serão surpreendidos por Deus.
Tyler Wigg-Stevenson é pastor batista e autor de Brand Jesus: Christianity in a Consumerist Age. Tradução: Daniel Leite Guanaes







